De Baile Solto: Siba

Novo disco traz discurso político, guitarras e o retorno às raízes

Teca Lima 21/05/15 11:42 - Atualizado em 21/05/15 16:17

Detalhe da capa do CD De Baile Solto, de Siba (Divulgação)

O cantor e compositor Siba assumiu a guitarra como seu instrumento principal no CD Avante, de 2012, o primeiro solo depois dos trabalhos com a Fuloresta e o Mestre Ambrósio. Ela também é protagonista em todas as faixas do novo disco De Baile Solto, só que dividindo lugar com as percussões e a rítmica própria do maracatu rural da zona da mata pernambucana, do qual Siba virou um mestre. As guitarras entrelaçadas da música do Congo também serviram de inspiração.

Siba produziu sozinho o disco, com recursos próprios, e "de um jeito solto", como ele diz, sem amarras e aberto a surpresas. São dez temas autorais, sendo nove inéditos. “Gavião” já aparecia no repertório do Mestre Ambrósio.

“Marcha Macia”, que abre o álbum, já introduz a vontade de se colocar poeticamente contra a nova ordem e as instituições.

As letras políticas e críticas miram o consumismo, o poder desmesurado do dinheiro, o abismo social; e tocam de maneira clara a situação de desprestígio e preconceito que vêm sofrendo as tradições de seu estado natal.



A questão central foi a proibição da permanência do maracatu de baque solto durante a madrugada em Nazaré da Mata e cidades vizinhas. O episódio, no qual Siba se engajou pessoalmente, determinou o conceito do disco.



Em “Quem é ninguém”, o estrondo do maracatu é incisivo, combinando com a letra ácida que diz coisas como “A mão que tem, quando cede / tem outra carta no bojo / e quando dá é com nojo / da mão que se estende e pede”.

Ao longo do disco os sons dialogam com a tradição, sempre de forma inventiva, com ciranda, coco e maracatus. Há espaço para a frevada e divertida “A jarra e a aranha”.

A banda que o acompanha ganhou um nome curioso: Mini Desorquestra de Baile Solto e Rimas. É formada por Antonio Loureiro na bateria, Leandro Gervásio na tuba e, na percussão e nos vocais, Mestre Nico – que, com sua voz originalíssima soa como toda uma Fuloresta. Participações especiais dos músicos Caçapa e Kiko Dinucci.

Em De Baile Solto, Siba traz sons e discursos contundentes, com ênfase nas suas raízes e na música das ruas. Solta o verbo pra falar das difíceis questões que envolvem nossos dias, mas termina quase otimista, avisando que sua estrela brilhante vai seguir adiante no baque solto do maracatu. “Vãobora olhar pra frente, o dia é claro, depois que eu saio eu não paro nem pro trem passar”.

Faixas:

1. Marcha Macia (Siba)
2. Gavião (Siba)
3. Mel Tamarindo (Siba)
4. Três Desenhos (Siba)
5. Três Carmelitas (Siba)
6. Quem é Ninguém (Siba)
7. De Baile Solto (Siba)
8. A Jarra e a Aranha (Siba)
9. O Inimigo Dorme (Siba)
10. Meu Balão Vai Voar (Siba)

Ficha técnica:

Produzido por Siba
Realizado por Fina Produção e Mata Norte

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