Amigos do Adoniran

Sambista e ator, Adoniran Barbosa eternizou seus amigos em clássicos como "Samba do Arnesto", "Um samba no Bixiga" e "Saudosa maloca"

Juliana Leite 06/08/13 14:00 - Atualizado em 20/05/14 15:33

Compositor e ator Adoniran Barbosa participa do Vox Populi, programa da TV Cultura, em 1978. (CEDOC FPA)

Esta seleção musical saúda uma das principais características do sambista e ator paulista: a de colecionador de amigos.

João Rubinato se transformou em Adoniran Barbosa aos 22 anos, quando adotou o primeiro nome de um de seus melhores amigos, Adoniran Alves, e o sobrenome do sambista Luís Barbosa. Talentoso, criava inúmeros personagens para seus programas de rádio, de TV e também para a música, muitos deles inspirados na realidade.

O "Samba do Arnesto", composto por Adoniran e Nicola Caporrino, trata do famoso caso do amigo Ernesto Paulleli que, na letra de Adoniran, virou Arnesto, nunca morou no Brás e jura nunca ter convidado Adoniran para um roda de samba. Muito menos o teria deixado na mão.

Em "Um samba no Bixiga", Adoniran faz referência ao amigo Nicola, funcionário da gravadora e parceiro em "Samba do Arnesto" e "Viaduto Santa Efigênia". Nicola não queria ter o nome vinculado ao meio artístico justamente por ser funcionário da gravadora. Para resolver a questão, Adoniran colocou nas parcerias o nome Alocin, que é Nicola ao contrário. Mais tarde, Nicola virou apresentador de rádio em Tatuí, interior de São Paulo, e possuía uma coluna no jornal local denominada "Seresta com Alocin".

Em "No Morro do Piolho", Adoniran homenageia o amigo Osvaldo Moles, que escrevia os roteiros dos programas de rádio apresentados pelo cantor, entre eles o quadro "História das malocas" em que Adoniran interpretava Charutinho, citado na canção e um enorme sucesso na época.

Boêmio que sempre foi, Adoniran vivia cercado de amigos com quem comemorava as felicidades e amargava as pancadas da vida. Em "Saudosa maloca", ele conta a triste história do amigo Mato Grosso: o prédio em que morava seria demolido. A música ganha continuação em "Abrigo de vagabundos", escrita dois anos mais tarde. O problema das amizades de Adoniran é que a maioria delas foi feita nos bares da cidade de São Paulo, onde o cantor e compositor gastou quase todo o seu dinheiro.*

*Playlist criada originalmente em comemoração ao centenário de nascimento de Adoniran Barbosa

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