Rosas ao mar

Artistas como Otto, Pedro Luís, Clara Nunes, Rita Ribeiro e Marisa Monte também fizeram suas oferendas a Iemanjá

Nathalie Hornhardt 02/02/12 14:00 - Atualizado em 02/02/12 14:00

(Reprodução)

Cabelos negros, compridos e brilhantes, olhos pretos como jabuticaba, corpo delicadamente desenhado em curvas, vestes em azul e branco, cantar doce e sereno, alma calma e encantadora... essa é Iemanjá. Mãe de todos, Rainha do Mar, Iemanjá é agraciada por grande parte da população no dia dois de fevereiro. Também conhecida por Janaína, a Orixá, proveniente dos rituais africanos, principalmente do Candomblé e da Umbanda; é sincretizada religiosamente como Nossa Senhora dos Navegantes.

O nome Iemanjá ou Yemanjá deriva da expressão iorubá “Yéyé Omo ejá”, que significa “Mãe cujos filhos são peixes”. A entidade se popularizou entre a maioria dos brasileiros em sua festa no segundo dia do mês de fevereiro; cristãos, adeptos do candomblé e umbandistas de muitos lugares do Brasil se misturam e, juntos, caminham em procissão até chegarem ao destino final, a casa de Iemanjá, o mar. E é lá que depositam as oferendas para a Grande Rainha. Diz a lenda que Iemanjá gosta de receber flores brancas, espelhos, joias, sabonetes e bonecas. Os presentes devem ser predominantes nas cores claras: azul e branco. O cantor e compositor Otto fala justamente disso em sua canção “Janaína”.
 


A primeira festa em homenagem à Sereia se deu nos anos 1920, quando um grupo de pescadores estava passando por dificuldades na pescaria. Foi então que pediram ajuda a um mentor espiritual, e este explicou que o alimento voltaria farto se fizessem uma oferenda à Deusa do Mar. Como o resultado foi positivo, decidiram realizar a festa todos os anos, para garantir a abundância na pescaria.

São muitas as músicas escritas em homenagem à Iemanjá. Rita Ribeiro, que homenageou a Sereia com uma interpretação de “Rainha do mar”, canção de Dorival Caymmi, comenta as características da Orixá, que é conhecida também como a Grande Mãe.
 


Dorival Caymmi usou Iemanjá como fonte de inspiração em muitas de suas composições, como é o caso de ”Promessa de Pescador”, cantada aqui pelo próprio Dorival Caymmi.
 


Parece que as composições para a Rainha do Mar não têm fim. Novos nomes da música brasileira dão continuidade à essa lista, como o de Fabiana Cozza, Anna Luisa, Daniela Procópio e Pedro Luís.
 


Como disse Otto em "Janaína": “Dia 2 de fevereiro / Dia de Iemanjá / Vá pra perto do mar / Leve mimos pra sereia / Janaína Iemanjá / Havia rosas no mar / Havia ondas na areia / Vá brincar no Rio Vermelho / A festa de Iemanjá / Salvador está em festa / Vou cantar”. Odociá Mãe Iemanjá!


REPERTÓRIO

01. Janaína (Otto, Pupilo, Catatau, Dengue), por Otto
02. Ciranda para Janaína (Jonathan Silva, Kiko Dinucci), por Fabiana Cozza
03. O mar serenou (Candeia), por Clara Nunes
04. Promessa de pescador (Dorival Caymmi), por Dorival Caymmi
05. Bailarina do mar (Anna Luisa), por Anna Luisa
06. Caminhos do mar (Dorival Caymmi, Dudu Falcão, Danilo Caymmi), por Gal Costa
07. Cantiga (Pedro Luís, sobre versos de Manuel Bandeira), por Pedro Luís e a Parede
08. Rainha do mar (Dorival Caymmi), por Rita Ribeiro
09. Conto de areia (Romildo Bastos, Toninho), por Clara Nunes
10. Morena do mar (Dorival Caymmi), por Maria Bethânia
11. Do tamanho do mar (Saul Barbosa, Vevé Calazans), por Daniela Procopio
12. Menininha Mãe (Naná Vasconcelos), por Naná Vasconcelos
13. Canto de Yemanjá (Baden Powell, Vinicius de Moraes), por Baden Powell 

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