Samba Canção

No ano do centenário do samba, o Bossamoderna aborda um de seus subgêneros, o samba canção.

Eduardo Weber 05/05/16 18:26 - Atualizado em 05/05/16 18:27

Reprodução

No ano do centenário do samba, o Bossamoderna aborda um de seus subgêneros, o samba canção.

 

O estilo biografado pelo escritor Ruy Castro, no livro “A noite do meu bem”, manifesto lírico de Dolores Duran recebeu tratamento sombrio do iconoclasta Tom Zé, em faixa de seu disco “Todos os olhos”, de 1973. Mas o samba inaugural do gênero é “Linda flor”, também conhecido como “Ai! Ioiô!”, lançado pela diva do teatro de revista, Aracy Cortes, em 1929, de autoria de Henrique Vogeler, Luis Peixoto e Marques Porto. Ele ressurge junto com outro clássico, “Maria” de Ary Barroso, num precioso dueto de João Gilberto, voz e violão, e Maria Bethânia.

 

Nana Caymmi, sempre cultuou o samba canção e seus derivados. Por isso, nada de braçada em “Neste mesmo lugar”, de Klécius Caldas e Armando Cavalcanti, que ela gravou com o pianista César Camargo Mariano, em 1983. E com as teclas de João Donato ela revisita “Amargura”, de Radamés Gnattali e Alberto Ribeiro.

 

Inovador do samba canção confidente e pré-bossa nova, Tito Madi destila um de seus clássicos autorais: “Cansei de ilusões”. Também da época é “Nova ilusão”, de Zé Menezes e Luis Bittencourt com os igualmente inovadores Os Cariocas, em registro de 1948. Dois outros ases do canto coloquial, o mineiro Lúcio Alves e o carioca Dick Farney, duelam em torno de um samba canção dialogado, composto por uma dupla autoral então iniciante formada pelo carioca Tom Jobim e o paraense Billy Blanco.

 

Outra sumidade do samba canção, a carioca Dóris Monteiro estourou logo na primeira gravação, “Se você se importasse”, de Peter Pan, em 1951. Sem o gaúcho Lupicínio Rodrigues não se faz um programa sobre samba canção: “Esses moços”, com a cantora carioca Leny Andrade e o violão do conterrâneo Romero Lubambo.

 

Samba canção emblemático dos pernambucanos Antonio Maria e Fernando Lobo, “Ninguém me ama” ganha versão eletrônica do Coletivo Samba Noir, de Kátia B (voz e guitarra), Luis Filipe de Lima (violão de sete cordas), Guilherme Gê (teclados e voz) e Marcos Suzano (percussão).

 

O carioca Carlos Dafé surfa na “Folha morta”, de Ary Barroso. O paulistano Agostinho dos Santos marcou o samba canção com sua emissão peculiar: “Nossos momentos”, de Haroldo Barbosa e Luis Reis. Aracy de Almeida debutou em 1946 o megaclássico “Saia do caminho”, do irmão de Haroldo Barbosa, Ewaldo Ruy, e Custódio Mesquita, a que Gal Costa imprimiu sua marca de doçura e excelência.

 

E este Bossamoderna, devotado ao samba canção, termina exatamente em “Samba canção”, composição de Eduardo Gudin e Roberto Riberti, com Gudin e Fabiana Cozza.

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Bossamoderna
Samba Canção
Apresentado na RCB - Sábado, 30 de abril de 2016, às 15 horas.
Programa de Tárik de Souza
Produção: Rádio MEC – Rio de Janeiro

 

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