Sem palavras

Bossamoderna dá folga aos letristas e traça um roteiro de canções sem palavras, com vocalises pautados por onomatopéias e sílabas sincopadas.

Eduardo Weber 05/05/16 18:22 - Atualizado em 03/06/16 13:25

Reprodução

Bossamoderna dá folga aos letristas e traça um roteiro de canções sem palavras, com vocalises pautados por onomatopéias e sílabas sincopadas. Como é o caso de “Clichê”, de Durval Ferreira e Maurício Einhorn, com Leni Andrade, em faixa do disco “Estamos aí”, de 1968.

 

Já o Tamba Trio injeta no roteiro “Sanguessuga”, de Toninho Horta e Fernando Brant. Na sequência, Edu Lobo faz fluir sua “Águaverde”, que ele gravou no disco “Cantiga de longe”, de 1969. Compositor de um clássico do sambalanço, “Deixa a nega gingar”, de 1961, o mineiro Luiz Cláudio Castro gravou em vocalise a “Coisa No. 10”, do maestro pernambucano Moacir Santos.

 

E mais um tema sem palavras: “Dona Lu”, do violonista Marco Pereira, com ele, e o prodígio vocal da paulistana radicada nos Estados Unidos Luciana Souza, do álbum “Duos III”, de 2012. A vertiginosa “Clarinha”, é composição da pianista, compositora e cantora Bianca Gismonti, filha de Egberto Gismonti, de seu disco “Sonhos de nascimento”, de 2013.

 

Com destinatário certo, Roberto Menescal e Andréa Amorim despacham a bossa pontuada por bongôs, “Pru Zé”, em faixa do disco “Bossa de alma nova”, de 2013. Arismar do Espírito Santo arma seu “Arco de pua”, com Léa Freire, flauta, Fábio Peron, bandolim de 10, Bia Góes, vocalise e o próprio Arismar, no violão de 7 cordas.

 

Do novo disco de Maria Gadú, “Guelã”, de 2015 é “Sakedu”. Marcos Valle faz rolar sua “Esphera”, parceria com Marcelo Camelo, do Los Hermanos, no disco “Estática”, de 2010. O acreano João Donato e a carioca Joyce Moreno dialogam sem palavras em “Aquarius”, faixa título do disco que lançaram em 2012. A mesma Joyce agora rodopia só em “Bailarina”, de seu disco “Language and love”, de 1991.

 

Numa incursão no mercado americano, sob o nome “The girls from Bahia”, o Quarteto em Cy no disco “Pardon my english”, de 1967, não precisou falar inglês para dar o recado de Oscar Castro Neves: “Até Londres”. Em outro disco americano intitulado nada menos que “Revolución com Brasília”, de 1968, o mesmo Quarteto em Cy singrou o Durval Ferreira - sem a letra de Lula Freire - de “E nada mais”.

 

E essa edição “Tema sem palavras” do Bossamoderna fecha a tampa com um clássico do vocalise. No icônico “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo, a voz de Claudya, casa-se indelevelmente ao instrumental do Zimbo Trio, em especial o piano de Amilton Godoy.

____________________


Bossamoderna
Sem palavras
Apresentado na RCB - Sábado, 23 de abril de 2016, às 15 horas.
Programa de Tárik de Souza
Produção: Rádio MEC – Rio de Janeiro

 

O cmais+ é o portal de conteúdo da Cultura e reúne os canais TV Cultura, UnivespTV, MultiCultura, TV Rá-Tim-Bum! e as rádios Cultura Brasil e Cultura FM.

Visite o cmais+ e navegue por nossos conteúdos.