Tropicália - Parte II

Os 50 anos do movimento que balançou as estruturas da música brasileira

Eduardo Weber 04/01/18 11:08 - Atualizado em 04/01/18 11:12

O programa começa com um precursor do movimento, o carioca criado em São Paulo, Jorge Mautner. Pensador e músico, ele apresenta a obra “Não, não, não”. O tom libertário e anárquico do tropicalismo, ao incorporar o pop de consumo, bateu de frente com puristas de várias latitudes. Tom Zé rebatia no disco de estreia: “Quero sambar, meu bem não quero andar na fossa, cultivando tradição embalsamada”.

 

Parafraseando um emblema do samba tradicional, “A voz do morro”, de Zé Kéti, Caetano Veloso foi ainda mais longe. Ele apresentou “A voz do morto”, gravado num compacto ruidoso, de 1968, com os Mutantes. Apresentando esta obra, Caetano Veloso polemizava com as hostes do samba tradicional, além de criticar também a modernista Bossa Nova.

 

“Saudosismo”, não poupa “Lobo bobo”, de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, nem mesmo “Chega de saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, embora exalte seu intérprete João Gilberto, a quem Gal Costa deve muito de seu canto intimista. O Bossamoderna apresenta “Chega de saudade”, em faixa do disco de estreia solo de Gal Costa, só lançado em 1969.

 

Esta edição destaca também “Questão de ordem”, de Gilberto Gil, em registro de estúdio, com os argentinos Beat Boys. A composição intensamente vaiada e sumariamente desclassificada do Festival Internacional da Canção de 1968. Caetano Veloso passou por situação semelhante com a música” “É proibido proibir”, que foi apresentada durante uma revolta estudantil de maio de 1968, na França.

 

Mesmo com os ânimos exaltados, a Tropicália seguia inovando, como na fusão de rock com moda de viola futurista, de Tom Zé e Rita Lee. A obra “2001”, foi gravada pelos Mutantes com sotaque caipira, em seu segundo disco, de 1969.

 

Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos durante a ditadura militar e foram exilados na Inglaterra. Numa reviravolta, Gilberto Gil deixou na partida um samba, que invadiu as paradas de sucesso: “Aquele abraço”.

 

A bandeira da Tropicália prosseguiu tremulando na voz de Gal Costa, a bordo de “Vapor barato”, em faixa do disco/show “Fa-tal – Gal a todo vapor”, de 1971. A obra foi composta por Jards Macalé e pelo baiano Waly Salomão. A dupla compôs também “Mal secreto”, gravada pelo próprio Macalé, em seu primeiro disco solo, de 1972.

 

Esta segunda edição sobre os 50 anos da Tropicália, termina com Caetano Veloso apresentando “London, London”, canção do exílio, gravada em Londres, no disco “Caetano Veloso”, de 1971.

 

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Bossamoderna
PGM 359
Domingo, 05 de novembro de 2017, às 15 horas.
Programa de Tárik de Souza
Produção: Rádio MEC – Rio de Janeiro

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