Candeia

Estúdio F apresenta a vida e a obra de um líder da cultura afro-brasileira e ícone do samba de raiz

Eduardo Weber 22/08/14 10:28 - Atualizado em 22/08/14 10:42

Candeia foi um dos grandes nomes da Portela (Reprodução)

Paulo César Soares anuncia: "Cultuado, coerente com seus ideais e querido pela nata do samba, ele é sinônimo de dignidade e resistência". Aprendeu violão e cavaquinho. Jogava capoeira e frequentava o candomblé. Afirmava: "Escola de Samba é povo na sua manifestação mais autêntica! Quando o samba se submete a influências externas, a escola de samba deixa de representar a cultura de nosso povo". Foi um dos grandes nomes da Portela e fundador do Grêmio Recreativo de Arte Negra Escola de Samba Quilombo, cuja bandeira era a defesa do samba autêntico. Seu nome, Candeia.

Antônio Candeia Filho nasceu no Rio de Janeiro em 17 de agosto de 1935. Seu pai era tipógrafo e músico amador. Tocava flauta, gostava de chorinho e, dizem, foi o criador da comissão de frente nos desfiles de carnaval. Não foi por acaso que o filho se enveredou na música. Sua casa era ponto de encontro de nomes importantes da época, como Luperce Miranda e Claudionor Cruz. Escolheu o samba. Em pouco tempo foi campeão do carnaval pela Portela com o samba enredo "Seis datas magnas". O ano? 1953. Sua idade? 17 anos.

O Estúdio F apresenta a trajetória desse importante nome da música popular que, como tantos outros de sua geração, não sobrevivia de música. Era policial, com fama de truculento. Sua carreira terminou ao levar cinco tiros, um deles na medula, que resultou em aposentadoria por invalidez aos 30 anos de idade.

Candeia dedicou-se então por completo ao samba. Samba de raiz. Criou grupos, como o Mensageiro do samba, fundou escola, gravou alguns LPs, escreveu e compôs muito. Alguns de seus sambas se tornaram nacionalmente conhecidos, como "O mar serenou" (gravado por Clara Nunes) e "Minhas madrugadas" (gravado por Paulinho da Viola, seu parceiro).

Paulo César Soares conta a sua história e apresenta sambas de Candeia, falecido aos 43 anos de idade (em 16 de novembro de 1978) antes de ver o lançamento de seu sétimo disco, Axé. No repertório deste Estúdio F estão "Seis datas magnas", "O mar serenou", "Minhas madrugadas", "Peso dos anos", "Testamento de partideiro", "A luz do vencedor", "Anjo moreno" e muito mais.
 

 
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Estúdio F
Candeia

Apresentado na Rádio Cultura Brasil em 16 de agosto de 2014
Apresentação: Paulo César Soares
Produção: Rádio Nacional - Rio de Janeiro

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