Dolores Duran: o cotidiano a dois

Ela é a primeira grande compositora brasileira desde Chiquinha Gonzaga. Também foi uma das três cantoras que mais influenciou a bossa nova, ao lado da Maysa e Sílvia Telles.

Eduardo Weber 26/10/11 10:00 - Atualizado em 26/10/11 10:00

Dona de sambas-canções clássicos, a cantora e compositora Dolores Duran (1930-1959) foi uma das pioneiras da bossa nova. (Reprodução)

Dolores Duran era o nome artístico de Adileia Silva da Rocha, nascida em 7 de junho de 1930 no Rio de Janeiro. As fotografias de época mostram uma mulher sempre com sorriso largo. A memória musical revela uma criadora sensível, inspirada quase sempre no amor. Uma cantora da mais legítima linha dor de cotovelo. Mas o significado de Dolores Duran para a música brasileira revela outras verdades.

Primeira: Dolores Duran é a primeira grande compositora brasileira desde Chiquinha Gonzaga. Segunda: Dolores Duran foi uma das três cantoras que mais influenciou a bossa nova. As outras duas foram Maysa e Sílvia Telles.

“Ela foi importantíssima na minha adolescência e teve um papel fundamental na minha opção pela música. Como compositora, foi a mulher mais importante do Brasil. Dolores sabia cantar o amor sem ser cafona, nem piegas. Tudo nela era autêntico”, afirma Nana Caymmi

Esta edição do Estudio F focaliza a trajetória fulminante de Dolores Duran, falecida aos 29 anos, vítima de uma parada cardíaca enquanto dormia, em 24 de outubro de 1959. Uma artista que com seu modo expressivo criou uma linguagem poética para falar do amor e do desamor. Uma compositora que tinha medo da solidão, tema presente em muitas de suas letras. Um nome que, em pouco mais de seis anos de carreira, entrou na galeria das estrelas da música popular brasileira.

"A Dolores de maus amores era também de bons humores”, sentencia o jornalista Tárik de Souza

Paulo Cesar Soares apresenta um repertório variado, com sambas, canções, ritmos nordestinos e até mesmo clássicos da música italiana e norte-americana, que faziam parte de sua atividade como crooner das principais boates do Rio de Janeiro e de São Paulo.

“Não me culpes”, “Solidão”, “Castigo”, “A noite do meu bem” e “Fim de caso” são algumas músicas de sua autoria que estão no programa. Tem ainda “Canção da volta” (Antonio Maria e Ismael Neto), “Manias” (Flávio e Celso Cavalcante), “Camelô” (Billy Blanco), “Conversa de botequim” (Noel Rosa e Vadico), “Escurinho” (Geraldo Pereira), “A filha de Chico Brito” (Chico Anysio), “Por causa de você” (Tom Jobim e Dolores Duran) e a póstuma “O negócio é amar”, letra de Dolores musicada por Carlos Lyra.
 

 

 

 

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Estúdio F
Dolores Duran: o cotidiano a dois

Apresentado na RCB em 25 de outubro de 2011
Apresentação: Paulo César Soares
Roteiro: Cláudio Felício 
Produção: Rádio Nacional / RJ

 

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