Os Tincoãs

Os ritmos e cantos da cultura negra do recôncavo baiano

Eduardo Weber 16/10/18 14:14 - Atualizado em 16/10/18 14:15

Os Tincoãs (Divulgação)

Tincoã é nome de pássaro de corpo pequeno, cauda longa e canto que lembra os felinos. Os Tincoãs é um trio vocal de Cachoeira, cidade do Recôncavo baiano. Tudo começou em 1961 com os amigos Erivaldo, Heraldo e Dadinho. Lançaram um disco de boleros, inspirado no Trio Irakitan, do Rio Grande do Norte. A iniciativa não deu certo, precipitando no ano seguinte a saída de Heraldo, que deu lugar a Mateus Aleluia, também da terra natal do conjunto.

 

12 anos depois do primeiro lançamento, 1973, Os Tincoãs voltam ao mercado do disco mudando por completo a filosofia de trabalho. Do bolero passaram a valorizar os cantos afro-brasileiros, principalmente o sincretismo religioso. Mateus Aleluia e Dadinho se tornaram os principais compositores do conjunto, cujos principais temas estão presente no repertório deste Estúdio F, entre eles “Salmos”, “Lamento às águas”, “Oxossi te chama”, “Cordeiro de Nanã” (parte gravada por João Gilberto no LP “Brasil”) e “Quebra-quebra Guabiraba”, tema gravado para o carnaval de 1976.

 

Em 1977 a última mudança do trio, provocada pelo falecimento de Heraldo, substituído por Badu, que permanece no grupo até 1983, época na qual os integrantes moravam em Angola.

 

Os Tincoãs também fizeram parte da trilha sonora da novela “Escrava Isaura”, com a música “Banzo”, composição de Hekel Tavares e Murilo Araújo. Gravaram e se apresentaram com Clementina de Jesus, Luiz Carlos da Vila e Martinho da Vila. Em 1980, o trio fez uma temporada em Luanda, capital da Angola, bebendo dos ritmos e da cultura negra original. Ficaram por lá, gravando por exemplo, “Luanda ê, lembrança feliz”, também de Mateus Aleluia e Dadinho.

 

Dadinho faleceu no ano 2000 em Luanda. Com sua morte, o último remanescente do trio, Mateus Aleluia, retorna ao Brasil. Aqui lançou mais dois discos. O primeiro em 2010, “Cinco Sentidos”, o segundo em 2017, “Fogueira doce”. Vale lembrar que nesse ano foram remasterizados três discos dos Tincoãs e lançado um livro com fotos e textos que relam a história do conjunto que registrou a africanidade no decorrer de cinco décadas.

 

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Estúdio F – momentos musicais da Funarte
372
Os Tincoãs
Quarta-feira, 17 de outubro de 2018, às 9 e às 21 horas.
Domingo, 21 de outubro, às 15 horas.
Apresentação: Pedro Paulo Malta

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