Tia Amélia

“Seus choros transmitem as coisas mais profundamente simples, as coisas do coração” (V.M.).

Eduardo Weber 01/10/19 14:55 - Atualizado em 02/10/19 10:52

Muitos a consideram como a sucessora de Chiquinha Gonzaga. Pianista e compositora, como Chiquinha teve que enfrentar o preconceito de ser artista numa época que era privilégio do sexo masculino. Nascida em Jaboatão, Pernambuco, no dia 25 de maio de 1897, Amélia Brandão Neri logo cedo aprendeu a tocar piano. Recebeu sólida educação musical, mas foi impedida de seguir a profissão pelo pai e pelo marido, já que ela se casou aos 17 anos.

 

 

Tia Amélia se tornou profissional aos 25 anos de idade, viúva e com três filhos para criar. Primeiro atuou na Rádio Clube de Pernambuco. Depois passou a trabalhar no Rio de Janeiro, como pianista de rádio e de teatro, compondo e gravando, principalmente choros. Representou o Brasil nos Estados Unidos em turnê no ano de 1933. Seis anos depois resolveu se “aposentar”, indo morar no interior do Brasil, em Goiânia. Retomou sua carreira artística em fins dos anos 1950. Gravou discos, compôs muito e teve seu próprio programa de televisão, na TV Rio, “Velhas Estampas”.

 

 

O Estúdio F ao focalizar a obra de Tia Amélia traz à tona a trajetória de uma artista que foi referenciada por nomes importantes da música brasileira. Roberto Carlos, que foi seu aluno de piano, dedicou-lhe a música “Minha tia”, gravada pelo cantor em 1976. Egberto Gismonti escreveu para a pianista “Sete anéis”. Altamiro Carrilho dedicou-lhe o choro “Pra Tia Amélia”.Por outro lado, Vinicius de Moraes, em crônica dedicada à artista, escreveu: “Os choros de Tia Amélia transmitem as coisas mais profundamente simples, as coisas do coração”.

 

 

No repertório do programa, além das músicas citadas, há vários choros compostos pela artista que, segundo ainda Vinicius de Moraes, “é a ressureição de Chiquinha Gonzaga com botas novas”. “Sorriso de Bruno”, “Choro Serenata”, “Bilhete para Arnaldo Rebelo”, “Cuíca no choro”, “Coco de Alagoas” e “Olinda”, gravação particular realizada na residência da professora Neusa França, em Brasília, no ano de 1970. Tia Amélia faleceu aos 86 anos, em 18 de outubro de 1983, na capital de Goiás.

 

.......................................................................................................................................

Estúdio F – momentos musicais da Funarte

422

Tia Amélia

Quarta-feira, 02 de outubro de 2019, às 9 e às 17 horas.

Domingo, 06 de outubro de 2019, às 21 horas.

Apresentação: Pedro Paulo Malta

O cmais+ é o portal de conteúdo da Cultura e reúne os canais TV Cultura, UnivespTV, MultiCultura, TV Rá-Tim-Bum! e as rádios Cultura Brasil e Cultura FM.

Visite o cmais+ e navegue por nossos conteúdos.