Turíbio Santos

Compreendi, pela figura de Villa-Lobos, que todos nós somos autodidatas

Eduardo Weber 08/04/20 15:47 - Atualizado em 22/04/20 17:51

Uma ideia comum no meio cultural é que o violão é nosso principal instrumento. Isso não é à-toa. Na música brasileira há um incontável número de excelentes violonistas. Seria injusto fazer citações, pois o espaço desta página não seria suficiente. Mas entre centenas de nomes brilhantes, um deles nasceu em São Luís do Maranhão em 07 de março de 1943, Turíbio Soares Santos.

 

Turíbio Santos se apaixonou pelo instrumento ainda garoto ao ver um documentário sobre Andrés Segovia. Morando no Rio de Janeiro desde os quatro anos de idade, teve a oportunidade na adolescência de participar de uma palestra na qual Heitor Villa-Lobos falava de sua obra para violão.

 

Aos 20 anos de idade gravou seu primeiro LP com 12 estudos para o violão que Villa-Lobos compusera especialmente para o violonista espanhol Andrés Segovia, justamente seu maior ídolo, de quem seria aluno, graças à sua vitória no Concurso de Violão de Paris em 1965, o mais prestigiado daquele tempo.

 

Vieram convites para concertos e gravações na Europa, sendo ele contratado por empresas importantes, como a Erato, especializada em música clássica, assinando contrato para 18 discos.

 

Ao voltar ao Brasil, Turíbio Santos se dedicou à vida acadêmica, recolheu obras de João Pernambuco, criou a Orquestra de Violões do Rio de Janeiro, gravou muitos discos solo ou com instrumentistas importantes, além de dirigir a Sala Cecília Meirelles e, por mais de 20 anos, o Museu Villa-Lobos.

 

No Estúdio F um pouco das gravações do músico que tem mais de setenta discos gravados. De Heitor Villa-Lobos ele toca “Estudo n. 1, em mi menor”, “Choros n. 1” e “Prelúdio n.1, em min menor”. De Edino Krieger, “Ritmata 1”. De Francisco Mignone, “Maracatu de Chico Rei”, com a Orquestra de Violões do Rio de Janeiro. De Joaquin Rodrigo, o primeiro movimento do “Concerto de Aranjuez”, com a Orquestra de Monte Carlo. Temos ainda gravações de Turíbio Santos em duo. Com o uruguaio Óscar Cárceres, “Sonata n. 5” (Domenico Cimarosa). Com Raphael Rabello, “Sons de carrilhões” (João Pernambuco). Com a cantora norte-americana Carol McDavit, “Amor em lágrimas” (Claudio Santoro e Vinicius de Moraes).

 

O programa traz ainda adaptações e músicas compostas por Turíbio Santos. Entre elas, “Cantigas infantis brasileiras”, “Suíte nordestina”, “Homenagem a Jackson”, “Suíte Teatro do Maranhão” e um tema em homenagem a compositora e violonista Rosinha de Valença: “Prelúdio da Rosa”.

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Estúdio F – momentos musicais da Funarte
449
Turíbio Santos
Quarta-feira, 08 de abril de 2020, às 9 e às 17 horas.
Apresentação: Pedro Paulo Malta

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