Wilson Simonal: qualidade e popularidade

Ele foi o cantor que sabia escolher o repertório, escalar os músicos e se comunicar com a plateia como nenhum outro em seu tempo. Foi também o primeiro artista negro a comandar um programa de televisão.

Eduardo Weber 24/10/11 13:00 - Atualizado em 24/10/11 13:00

O sucesso do cantor e rei da pilantragem Wilson Simonal (1938-2000) nos anos 1960 só é comparado ao de Roberto Carlos. (Reprodução)

“Creio que ser negro e bem-sucedido no Brasil é um pouco perigoso”
Wilson Simonal


Dos muitos mitos da indústria cultural, um deles se refere à relação entre qualidade e popularidade. Tem gente que acredita que é uma coisa ou é outra. Que produto de qualidade não combina com recordes de venda. Será?

Esta edição do Estudio F demonstra que isso é possível e que entre os artistas que conseguiram tal alquimia um deles se destacou: Wilson Simonal.

O cantor foi descoberto por Carlos Imperial que logo o contratou como assistente e cantor do programa que produzia, "Os brotos comandam". Em pouco tempo Simonal deixou de lado as anotações na agenda do produtor para se tornar a principal estrela do programa e logo em seguida ser um astro no Beco das Garrafas, onde percebeu e aprendeu que o negócio era esquecer a inexpressividade dos cantores da época, e partir para a desenvoltura no estilo “Broadway”, levado a cabo pelo dançarino e coreógrafo Lane Dale.

Foi a fórmula de sucesso. Wilson Simonal foi o cantor que sabia escolher o repertório, escalar os músicos, cantar com personalidade e se comunicar com a plateia como nenhum outro em seu tempo. Wilson Simonal se tornou uma estrela. Foi o primeiro artista negro a comandar um programa de televisão. Foi o primeiro artista negro contratado como garoto propaganda de uma multinacional. Tornou-se um grande vendedor de discos, sem nunca se abdicar de ter bons músicos ao seu lado, como Lírio Panicalli, Erlon Chaves, Eumir Deodato e César Camargo Mariano.

Paulo César Soares apresenta os principais êxitos musicais do cantor em seu período áureo, entre 1961 e 1971, tempo em que fez sucessos no Brasil e no exterior, cantou para a Seleção Brasileira no México, lançou um boneco que foi uma febre em vendas, “Mug”, e se tornou sócio-fundador do movimento “pilantragem”, que nada mais era do que a “volta a velha malandragem do samba”, na opinião de César Camargo Mariano.

No início da década de 1970, acusado de colaborar com o regime militar, Simonal foi abandonado pela mídia, pelas gravadoras, pelos artistas e pelo público. Praticamente saiu de cena. Em 1998, por intermédio de sua família, sua imagem começou a ser recuperada, culminando com documentos do governo que o inocentou de todas as acusações recebidas.

No repertório do Estúdio F estão “Sá Marina” (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar), “Tributo a Martin Luther King” (Wilson Simonal e Ronaldo Bôscoli), “País tropical” (Jorge Benjor), “Mamãe passou açúcar em mim” (Carlos Imperial), “Balanço zona sul” (Tito Madi), “Nem vem que não tem” (Carlos Imperial) e “Carango” (Nonato Buzar e Carlos Imperial).
 

 
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Estúdio F
Qualidade e popularidade

Apresentado originalmente em 18 de outubro de 2011
Apresentação: Paulo César Soares
Roteiro: Cláudio Felício
Produção: Rádio Nacional / RJ

 

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