Para repensar a televisão

Debate promovido pelo programa repensa os 60 anos da TV brasileira. Entre os participantes, a pioneira Vida Alves, a atriz Bárbara Bruno, o diretor Antônio Carlos Rebesco e o diretor de produção da TV Cultura, Marcelo Amiky.

Cirley Ribeiro 22/09/10 17:25 - Atualizado em 22/09/10 17:25

À esquerda, os atores Vida Alves e Walter Foster, protagonistas do primeiro beijo da TV brasileira dado na novela Sua vida me pertence (1951). Ao lado, registro de um cinegrafista da pioneira TV Record, criada em 1953 por Paulo Machado de Carvalho. (Reprodução)

Não espere de Vida Alves, famosa pelo primeiro beijo na televisão brasileira, um discurso saudosista. Ativa aos 72 anos, a presidente da Associação dos Pioneiros da Televisão Brasileira não quer recordar histórias. Está precocupada é com o presente e o futuro da TV no Brasil. "Não adianta tratar os pioneiros como peças de museu", diz ela.

Questionada por Alexandre Ingrevallo se gosta do que assiste hoje na telinha, Vida Alves provoca: "Se disser que não gosto é porque sou velha, antipática e boba". O fato é que a veterana atriz acha que a programação televisiva está aquém da inteligência e do desejo do telespectador. Segundo ela, só o que dá dinheiro fica no ar. E pergunta: "Onde está a música, a orquestra?" Outro veterano da televisão, o professor e diretor Antônio Carlos Rebesco - o Pipoca - concorda: "A música está empobrecida na televisão". Ele acredita que é preciso ousar, arriscar e fazer diferente, sem seguir a cartilha do Ibope. E cita programas já exibidos na TV Cultura, como Ponto de Encontro, Jazz Brasil e Café Concerto: "Formava fila de músicos que queriam participar das gravações. E no Teatro Franco Zampari sobravam 300 pessoas pra fora".

Para Vida Alves, a comercialização exagerada foi contra a arte verdadeira na televisão, o que aponta como um problema internacional: "Perdemos um bocadinho da nossa capacidade de fazer arte". E desafia: "Quero ver quem tem coragem de fazer o que nós fazíamos na década de cinquenta! Shakespeare ao vivo! Éramos loucos", conclui a atriz.

Bárbara Bruno, filha do casal Paulo Goulart e Nicete Bruno, também acredita que falta ousadia na atual fase da televisão brasileira. Para ela, a função do veículo é levantar questionamentos e permitir que as pessoas tenham opiniões diferentes. "No ar você vê picadinhos de criação. Eu acho que a TV Cultura sempre foi um respiro para muitos criadores, mas é pouco em relação ao que a gente vê no todo", complementa Antônio Carlos Rebesco.

Já o diretor de produção da TV Cultura, Marcelo Amiky, opina que o Brasil tem uma das melhores televisões do mundo. E em relação à qualidade técnica faz jus a esse histórico de 60 anos, porque atingiu um patamar sofisticadíssímo de produção. Mas o grande desafio é entender a produção de conteúdo e abrir espaço para produção independente, seguindo modelo americano, sugere Marcelo Amiky. Em relação aos avanços tecnológicos, Amiky adverte que "A televisão nunca mais será somente um eletrodoméstico no meio da sala".

Confira o debate na íntegra.

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