Os migrantes da música

Migrassom, Don Mayer, Kiko Klaus e a coletânea Instrumental Nordeste: a música que nasce em um lugar e conta sua história em outro.

Da redação 28/02/11 07:10 - Atualizado em 28/02/11 07:10

Os passaportes dos migrantes: os discos Instrumental Nordeste (e.), Migrassom e Suadeiro, de Don Mayer. (Reprodução)

Todo mundo aprendeu na escola os movimentos migratórios no Brasil. Esses movimentos continuam. Na música eles estão muito presentes, como demonstra Solano Ribeiro.

A começar pelo duo que abre a edição: Migrassom. Daniela Garcia é filha e neta de imigrantes portugueses, espanhóis e italianos. Paulistana, cantora e arte-educadora conheceu Glauber Lira, filho e neto de migrantes nordestinos. Paulistano, trabalha como músico e arte-educador. Daniela e Glauber formam o duo Migrassom apresentando composições próprias com múltiplas influências.

Suadeiro é um trabalho de Don Mayer. Como não existem muitas referências sobre o artista, Solano diz que suas letras sugerem que ele é da Bahia. Se assim for, é mais um cantor e compositor migrante que optou por fazer carreira em São Paulo.

A capital paulista recebe a música de todos os cantos do país, em shows e no rádio. É o caso da coletânea Instrumental Nordeste, que traz 10 trabalhos de vários cantos da região. Um é Guaramiranga, cidade do norte do Ceará que mantém um projeto musical cujo lema é "Nossa vida é fazer arte". Se a Orquestra Cidade da Arte é praticamente desconhecido, o músico Antúlio Madureira não. Natural de Natal, residente em Recife desde criança, Antúlio é um artesão musical que cria e aperfeiçoa instrumentos a partir de objetos comuns. E tem a ainda a Tesla Orquestra, grupo potiguar, com sede em Natal.

E para fechar a edição migrantes da música, o trabalho de Kiko Klaus. O CD O vivido e o inventado foi gravado em Recife, Belo Horizonte e São Paulo, fazendo parte do projeto A música que vem de Minas. O trabalho de Kiko traz elementos da cultura pernambucana, como a ciranda, samba de roda, xote, música armorial, maracatu e o ambiente percussivo da umbanda e candomblé. Se não bastasse, traz ecos da música flamenca, resultado de sua vivência na Espanha, onde teve contato com protagonistas da cena contemporânea espanhola.

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