Solano Ribeiro: produtor independente

O apresentador destaca as suas produções independentes, feitas num tempo que isso era coisa do outro mundo

Eduardo Weber 19/01/15 11:24 - Atualizado em 19/01/15 11:55

Neste programa, Solano Ribeiro fala sobre a experiência ao transformar em disco alguns momentos de Millôr Fernandes (Reprodução)

“2015 é ano muito especial cheio de datas para serem lembradas. 50 anos do primeiro festival de música popular brasileira, que deu origem à sigla MPB. 10 anos do Festival Cultura, onde pela primeira vez se falou em nova música do Brasil. A produção independente veio para ficar. Cada vez mais gente solta a voz pelas estradas. Por ter tido a ver com um pouco de tudo isso, hoje volto no tempo para lembrar alguns momentos passados e ouvir seus ecos.”

Esta edição apresenta quatro trabalhos produzidos de maneira independente por Solano Ribeiro, num tempo que era coisa rara, época em que as grandes empresas detinham 99,9% do mercado discográfico, senão mais.

O primeiro trabalho é o disco O Bando, originado do conjunto “Os malucos”, que se apresentavam regularmente nas boates Beco e Urso Branco. Conjunto de um disco só, remasterizado em CD na Alemanha, O Bando era formado por Dudu Portes, Rodolfo, Paulinho, Diógenes, Emílio, Américo e a voz de Marisa Fossa. Nos arranjos, bambas: Rogério Duprat, Damiano Cozzela e Julio Medaglia. Vale conferir “Assim fala Mefistófeles”, “Que maravilha”, “Sala de espera” e “Alegria, alegria”.

Pat Escobar tinha como escola o Teatro da mãe Ruth Escobar. Solano Ribeiro ao ouvi-la num karaokê perguntou: Por que não? Aceito o sim, Pat Escobar foi lançada como cantora no álbum Artigo de Luxo, cuja faixa-título tem assinatura de Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro. No repertório do CD estão “Alívio” (Djavan e Arthur Maia) e “Tudo isso é fado” (Filó Machado e Aldir Blanc).

“Em 1978, depois de anos de brutal repressão a intelectuais e artistas, quando ligeira brisa entrava pelas frestas da abertura política, achei que seria oportuna uma nova experiência ao transformar em disco alguns momentos daquele que dizia ‘não sou um grande humorista, mas apenas o sujeito mais engraçado, da família mais engraçada, da cidade mais engraçada, do país mais engraçado do mundo’. Assim nasceu o LP O melhor do Millôr, fração do imenso universo criativo de Millôr Fernandes.” Quem puder que detenha o riso!

Solano Ribeiro também afirma: “das minhas experiências como produtor uma das mais gratificantes foi juntar opostos. O multiinstrumentista Egberto Gismonti e a sofisticação bruta de Marlui Miranda”. Vale relembrar faixas do LP Olho d’água, com registros de “No pilar” (Jararaca), “Pitanga” (Capinam / Marlui Miranda) e o tema dos índios Krahos, “Canto Krahô”, recolhido e adaptado pela cantora.
 

 

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Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil
Solano Ribeiro: produtor independente

Na Rádio Cultura Brasil em 08 de fevereiro de 2015
Apresentação: Solano Ribeiro
Direção: Eduardo Weber

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