Trilogia Fantástica: Zé do Caixão, Gil Gomes e Elke Maravilha

Mojica cineasta em sessão de análise. Criador-criatura que se adapta muito bem à língua radiofônica.

da redação 28/08/10 16:00 - Atualizado em 28/08/10 16:00

Elke Maravilha, Gil Gomes e José Mojica Marins, o criador do Zé do Caixão. (CEDOC FPA)

Mojica cineasta em sessão de análise. Criador-criatura que se adapta muito bem à língua radiofônica. O crocodilo se inspira em Gil Gomes, que por sua vez, se orgulha em contar histórias de terror em plena Rádio Cultura. Elke Mulher Maravilha, manequim-vedete, adora Arrigo e fala a língua da inteligência.

Estética e cultura formam o gosto de três personalidades sui generis. Personagens de si mesmo que integram o imaginário nacional dos últimos 40 anos. Suas trajetórias são revistas nesta trilogia (inesquecível) editada originalmente no ano de 2005.


ZÉ DO CAIXÃO

“O que será que tem do outro lado da vida? O que vem depois da morte? Eu realmente comecei a me interessar por isso”, diz José Mojica Marins. Seu personagem Zé do Caixão esclarece com mais questões: “O que é a vida? É o princípio da morte. O que é a morte? É o fim da vida. O que é a existência? É a continuidade do sangue. O que é o sangue? É a razão da existência”.

Ele é o papa do gênero fantástico. Seu primeiro filme, Juízo final, já tinha um “caixãozinho”. Pesquisou religiões se intrigou pelos olhos tristes de Charles Chaplin. Fez fitas de bangue-bangue de caráter nacional. Trabalhou na boca. É um ídolo internacional. É fã do cinema preto-branco-e-cinza. “Sonhos, pesadelos, drogas e alucinações te levam a ver o mundo colorido. Mas quando você volta para a realidade, você vai ver que tudo é preto e branco”, diz Mojica.
 

 


GIL GOMES

“Gil Gomes não é um número. Eu conto a vida do meu personagem, que tem família, tem sonhos, tem uma história”, diz em terceira pessoa Gil Gomes, personagem de si mesmo.

Ele começou como locutor esportivo ainda criança (e gago), “transmitindo” jogos desde uma caixa de papelão com uma antena de arame: “Era um sonho”. Congregado mariano, hoje Gil Gomes lê Dostoievski.

“Você conhece a casa maldita? Você imaginou contar na Cultura FM a história da casa maldita? A casa maldita é em Eldorado, que teve aquela grande fase em que os grande milionários paulistas tinham casa na represa. Então, tinha aquelas casas de pedra muito bonitas. Tem uma casa que um homem de dinheiro estava construindo. Antes de acabar a construção da casa, ele morreu num acidente. O filho dele foi para terminar a construção. Na inauguração ele pegou um barco, foi pro rio, na neblina, afundou, morreu. Uma filha assumiu...” [ouça o final no programa]
 



ELKE MARAVILHA

Nascida em Leningrado, Elke Grunupp é filha de russo com alemã. Professora de línguas, bibliotecária, bancária, tradutora-intérprete, manequim-vedete, atriz, performer. Elke Maravilha é comunicadora nata. “Na realidade eu não sou uma grande leitora de livros. Gosto muito de ler gente, gosto do olho no olho. Tenho uma coisa meio tribal”, esclarece a galega.

"Nós no Brasil temos muito pouco bom gosto. O negro tem (sentimento fino em educação, sensibilidade, inteligência). O branco brasileiro é kitsch e acha que é elegante. Tem a coisa da origem porque o branco que veio (inclusive eu) é gente que não deu certo lá. Agora o negro que veio pro Brasil não foi refugo não, foi alta nobreza. Então, a gente tem muito que aprender”.
 

 

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