Marie Ange Bordas: arte em estado de deslocamento

Artista inquieta, jornalista e fotógrafa gaúcha, Bordas trata da arte em sistemas colaborativos, destaca a importância das obras sonoras e como o fazer artístico pode transformar as pessoas.

Julio de Paula 07/12/11 13:12 - Atualizado em 07/12/11 13:12

Arrigo Barnabé e Maria Ange Borda nas dependências da Fundação Padre Anchieta. (Julio de Paula / Cultura Brasil)

“Qual é o nosso agir no mundo? Política para mim é isso, é você ter uma ação no mundo que influi no teu viver pessoal, mas também influi no macro. O que você faz como indivíduo repercute no social.”

O avô era negociante de vinho em Bordeaux. O pai se fixou no sul do Brasil. De Porto Alegre, ela passou por Nova York, Paris, Londres, países da África e América Latina. Hoje, com base em São Paulo, tem trabalhado com crianças quilombolas do Maranhão e com comunidades caiçaras do Sudeste. “Militante das artes plásticas”, nas palavras de Arrigo, Marie Ange Bordas é geralmente apresentada como artista-ativista. “Etnocídio”, “deslocados”, “refugiados” são palavras recorrentes em seu vocabulário.

Artista multimídia que trabalha em sistemas colaborativos, Bordas não estudou nem integrou o circuito das artes plásticas. Jornalista de formação, deixou o ofício numa “missão pessoal”, numa tentativa de revelar os acontecimentos pelo caminho do sensível. “Pela arte eu tenho muito mais chance de transformar do que simplesmente fazendo um testemunho”, declara.

Marie Ange Bordas se percebeu a si mesma como “deslocada voluntária”. Investigou a mesma situação com pessoas deslocadas compulsoriamente, sem opção. “Me encontro a mim mesmo no encontro com o outro”, é uma espécie de resumo de sua busca. Preocupada em ouvir a versão que as pessoas tinham sobre sua própria vida, passou a conviver e a articular oficinas de criação artística. “Como pessoa privilegiada nessa sociedade desigual onde a gente vive, qual pode ser o meu papel de ponte entre esses lugares? Qual o meu papel para sacudir um pouco esse status quo desse sistema que está tão sedimentado?”, questiona.

“Tem um descompasso com uma certa linha das artes. Eu não estou interessada no produto, mas no processo. O processo é estético, artístico, performático, o processo é movimento e transformação.”
 

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Supertônica
Marie Ange Bordas: arte em estado de deslocamento

Apresentado originalmente na RCB em 
Apresentação: Arrigo Barnabé
Produção: Julio de Paula

 

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