A voz-ritmo de Marcelo Pretto

Arrigo Barnabé entrevista o cantor autodidata, ator e arte-educador, integrante dos grupos A Barca e Barbatuques

Julio de Paula 19/07/13 21:08 - Atualizado em 22/10/14 11:29

Marcelo Pretto e Arrigo Barnabé. (Julio de Paula)

“Tenho um gosto tremendo pela prosódia, pela palavra, mastigar as letras”

Ele é pesquisador irrestrito ou ouvinte incondicional da (desconhecida) música brasileira da primeira metade do século 20. Quando descobriu as origens deste mesmo repertório (a música de tempos imemoriais), partiu para campo e abraçou a cultura popular, em companhia de seus parceiros da Barca. Jackson do Pandeiro e João Gilberto são referências para um monge indisciplinado. Marcelo Pretto é o intérprete dos desafios vocais.
 
“Eu estava na casa de um amigo, encontrei um LP sem capa que achei peculiar. Era o disco da Funarte, com a famosa gravação do navio Uruguay, do maestro Stokowski. (...) No meio dessa turminha brava, tinha simplesmente o Jararaca e o Ratinho. Eles são incríveis, sou fã desses caras. E foi a primeira vez que eu escutei uma coisa que é muito importante na minha vida: a embolada. (...) Aquilo me chocou como se eu fosse um gringo escutando um som do mundo, uma música étnica”
 
Passou pela filosofia, trabalho em banco, em companhia aérea. Leu livros, viajou, vivenciou repertórios. Marcelo Pretto encara a voz como ritmo. “O que eu mais tenho, muito mais que a melodia é o ritmo”, diz. Foi finalista do prêmio VISA e foi “obrigado” a encarar uma carreira. Nunca gravou um álbum solo, mas tem no curriculum um DVD ao vivo e um sem-número de participações em discos de outros cantores. Além do grupo A Barca, é integrante dos Barbatuques.
 
“A coisa que mais me chateia em toda a música popular é a exclusão. Nós temos botar pra cima, curtir, respeitar. Não respeitar como educação, mas porque é muito bom. É rock-in-roll na veia!”
 
“Penso em música o tempo inteiro, escuto música o tempo inteiro. Minha escola foi só no ouvido, só na orelha. Escutar música é uma coisa que faço de maneira quase religiosa”

Esta audição vocal de bom papo é complementada pela pesquisa sobre o gosto. Atrizes na Vila Buarque, pleno centro da metrópole, escutam os “Madrigais Nonsense”, de György Ligeti.

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