Da canção de amor – Análise psicológica de canções

O psicanalista Ricardo Guará defende a ideia de que somos educados sentimentalmente por meio das canções. Nesta edição, cerca de 35 títulos que tratam do amor e das relações humanas.

Julio de Paula 07/12/10 13:41 - Atualizado em 07/12/10 13:41

O poeta e compositor Vinicius de Moraes, que escreveu “Eu sei que vou te amar por toda a minha vida”, casou nove vezes. (Bernardino G. Novo / CEDOC FPA)

“Seria mais real dizer: eu tenho esperança de que vou te amar por toda a minha vida (...) A gente sabe que a emoção é volúvel, variável. A emoção não permanece, ela cresce e diminui, desaparece, vem outra. Como você pode prometer que você vai ter um sentimento daqui a vários anos?”

Pesquisador inquieto, Dr. Ricardo Amaral Rego é psicoterapeuta neoreichiano. Sua ligação com a música vem dos tempos da faculdade, quando era conhecido como Ricardo Guará. Sob este pseudônimo, tem parcerias com Itamar Assumpção, como “Tristes trópicos” e “Sexto sentido”. Num encontro anual das três bios (bioenergética, biodinâmica, biosíntese) que tinha como tema o "Amor", nasceu a vontade de trabalhar com o cancioneiro popular, numa associação livre de ideias. Do pensamento e do relacionamento materno às dores de amor e seus exorcismos.


Risco no disco, fragmentos

“Se você quer ser minha namorada / Ah, que linda namorada / Você poderia ser / Se quiser ser somente minha / Exatamente essa coisinha, essa coisa toda minha / Que ninguém mais pode ser... / Você tem que me fazer um juramento / De só ter um pensamento / Ser só minha até morrer...” diz a canção de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra que, em primeira análise, trata de controle da pessoa amada, redução do amado a uma “coisa”, além das juras de amor eterno. “É um cara muito inseguro, é um absurdo”, diz Guará. “Do ângulo da psicologia isso não é saudável, isso vai dar encrenca”, clinica.

O poder transforma a dor. A arte que ensina. Canções para a vida inteira. Guará defende a ideia de que somos educados sentimentalmente por meio das canções. Nesta edição, cerca de 35 títulos que tratam do amor e das relações humanas (e que fizeram parte de muitas discotecas) são ouvidas e comentadas. “São músicas que fizeram parte da estrutura emocional das pessoas. Quando você reflete sobre isso, você faz novas conexões, novas sinapses. Você abre a cabeça para ver mais profundamente as riquezas e as contradições que existem nessas canções”, considera o diretor do Instituto Brasileiro de Psicologia Biodinâmica. Amigos de longa data, Arrigo e Guará relembram bailinhos e tratam das músicas que tocaram em suas vitrolas.
 

 

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