O Milagre Musical do Barroco Mulato

Em 1965, o maestro Júlio Medaglia publicava um artigo decisivo para a divulgação ampla do passado musical brasileiro

Julio de Paula 21/07/15 11:01 - Atualizado em 21/07/15 11:10

Arrigo Barnabé, Julio Medaglia e Paulo Castagna em gravação Supertônica (Foto: Julio de Paula)

Francisco Curt Lange (1903-1997), musicólogo teuto-uruguaio, foi um dos nomes determinantes para o desenvolvimento da musicologia na América Latina do século 20. Lange foi um dos pioneiros a se aventurar pelo interior do Brasil em busca de partituras que iriam revelar uma produção musical equivalente à arquitetura e às artes plásticas do período áureo das minas. Em sua compilação de manuscritos estavam aqueles que seriam revelados como alguns dos principais compositores da colônia.

Artigo de Júlio MedagliaO maestro Júlio Medaglia foi um dos interlocutores de Curt Lange. Dessa parceria, resultaria uma série de aulas na Universidade de São Paulo (avalizadas por Sérgio Buarque de Holanda), um concerto na capital paulista e um artigo no prestigiado Suplemento Literário do Estadão, o primeiro que dava notícia em ampla escala das descobertas do repertório musical do então chamado “barroco mulato”.

Mulato Mesmo!

“Após a constatação do fenômeno e de se encontrarem várias vezes os nomes de Lobo de Mesquita, Marcos Coelho Netto, Francisco Gomes da Rocha e Ignácio Parreira Neves, restava saber se a música era importada de Portugal, se composta por portugueses imigrados ou por nativos. A presença dos nomes desses compositores em irmandades das quais, segundo rigorosos estatutos, só faziam parte nativos e homens de cor, não deixo mais nenhuma dúvida quanto às suas origens”, escrevia Medaglia em seu artigo “O Milagre Musical do Barroco Mulato”.

Por ocasião dos 50 anos desta publicação, Supertônica revê o passado musical do Brasil colonial sob o ponto de vista do maestro, num esforço de revisão histórica das últimas décadas e das iniciativas de reintegração desse repertório na vida contemporânea. Além de Medaglia, o programa conta com a participação de Paulo Castagna, musicólogo, professor pesquisador do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“Aquele artigo fazia parte de uma guerra, queriam mandar prender a gente”, lembra Júlio Medaglia. “A gente percebe como foi rica também a história da recuperação desse passado musical brasileiro”, avalia Castagna.

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